EDIT 2017-18

O Mundo é bué cenas // Projecto Final

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O Mundo é, de facto, bué cenas.

Nota introdutória – este projecto tem uma componente pessoal muito marcada e assim decidi que fazia sentido falar na primeira pessoa quando explicasse todo o processo que me trouxe ao objecto final.

No final da minha licenciatura em Design de Comunicação, a única coisa que queria fazer era largar o computador. Três anos de olhos postos no ecrã não foram fáceis.

Não me interpretem mal, eu adorei o curso e aprendi imensa coisa. Mas sempre fui muito mais dada ao manual do que ao digital (sim, eu era daquelas crianças que de facto faziam os projectos propostos pelo Pedro Penim, apresentador do Art Attack) e ansiava por me dedicar a cem porcento a um curso que me deixasse sujar as mãos.

Assim o fiz. Um semestre a brincar às oficinas de tipografia e a técnicas de impressão manuais depois, chego ao segundo quarto do meu mestrado e deparo-me com uma inopção (inventei esta palavra, mas calculo que todos percebam que estou a falar de uma não-opção).

Em vez de duas optativas, tínhamos apenas uma para “escolher” – Explorações Digitais e Interactivas da Tipografia. Bolas. Sou traumatizada com tudo o que envolva código e a minha mente já tinha fechado para sempre essa porta. Mas tem que ser. Vamos lá.

Comecei então a pensar como poderia fazer um projecto onde conseguisse englobar as três vertentes desta cadeira. Digital – Interactivo – Tipografia. Se tem que ser feita, mais vale que me divirta e que faça alguma coisa que me dê gozo, certo? Com muitas ideias e referências dadas pela professora decidi como é que ia fintar este monstro – o lado DIGITAL da cena – seria com corte ou gravação a laser no Fablabb da faculdade. Perfeito! Sempre quis explorar alguma coisa naquela sala de brinquedos para designers e esta era a oportunidade perfeita.

O resto veio mais facilmente. Ideias não me faltam e vontade também não.

O meu objecto é um candeeiro, que aproveito já para dizer que foi uma aventura para conseguir fazer. Mas este candeeiro é diferente do normal. Não se acende e fica aceso. O espectador/utilizador tem que ficar a carregar no botão se quer ter luz. Interactivo!

A vertente tipográfica não exigiu muita imaginação. Eu queria mostrar uma ideia – a de que o mundo é bué cenas – e fiz apenas uma composição tipográfica e ilustrativa que mostrasse isso mesmo.

Na verdade a inspiração vem de dois sítios diferentes que se juntaram os dois à esquina a tocar a concertina e viraram um acrílico que dá luz.

Em primeiro, a frase. Em segundo, o objectivo.

Toda a vida fiz campos de férias. Onde não se pode usar o telemóvel. Ninguém pode. É para estar ali de corpo, mente e alma e por isso não é precisa uma ligação qualquer ao quotidiano.

Assim, no principio de cada campo, ao dar aquele clássico pseudo-sermão sobre largar o telefone, esta é uma das frases mais proferidas – “Tirem os olhos do ecrã e levantem a cabeça. Olhem à volta. O mundo é bué cenas. Não cabe nesse quadradinho.”

E era exactamente isso que eu queria dizer a toda a gente agora. Talvez com uma pontinha de ressabianço por ter ficado “presa” numa cadeira que me obrigava a olhar para um ecrã, talvez porque é mesmo importante que toda a gente ouça isto ou talvez por nenhuma destas razões.

Apesar da dificuldade que foi fazer a estrutura e montar a ligação eléctrica, graças a muita insistência (e à grande, grande ajuda do meu Pai), o objecto final ficou muito parecido com o que tinha imaginado.

No final de contas, acabou por ser um projecto que gostei imenso de fazer. A cadeira que me foi “imposta” acabou por ser a desculpa ideial para eu fazer duas coisas que queria fazer há imenso tempo. Um candeeiro e gravação em acrílico.

Em baixo mostro fotografias do processo e do objecto final.

 

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